I feel the rain droping in my soul, and i just wanna drive through this mind games of mine…
Moods…
Cheiros de Outubro
Cheirava já a fumo da lareira e às primeiras terras molhadas, cheirava a caldo verde das couves ‘cegadas’ na mesa de lousa, a frio e a arroz de tomate. Cheirava a mosto e a vinho novo derramado na terra, cheirava ao fim de férias. Até o anoitecer tinha um cheiro só dele, quando as cores escuras do céu se confundiam com o horizonte.
Cheiros coleccionados, todos na edição de Outubro do catálogo das memórias…
Cosmogonia
Devia ter eu os meus 7 ou 8 anos e é uma das minha memórias mais remotas… ou pelo menos das mais fortes e mais presentes…
Naquele início de Verão ia todos os dias à praia. A banda sonora do caminho feito pelo FIAT 127 conduzido por uma prima mais velha era, invariavelmente, o novo álbum dos Trovante. Uma cassete branca com letras azuis! Entre a ‘Perdidamente’, com os intemporais versos da Florbela Espanca, e a ‘Fiz-me à cidade’ o caminho era sempre o mesmo: partia da Rua de Monte Alegre, onde morava a minha avó, descia a Constituição, seguia pela Via Rápida, atravessava a ponte de Leça junto ao Porto de Leixões, passava a refinaria da Galp, o Cabo do Mundo, e subia depois alguns kms da costa até à praia da Agudela.
Foi num desses percursos que um dia me detive na lírica da ‘125 Azul’. Poderia quase afirmar que terá sido o gatilho das minhas cogitações cognitivas conscientes e que me dispararam para pensamentos metafísicos, não sei, Piaget que o diga…
Foi quando regressava num final de tarde, de cabelo molhado e ainda com o sal do mar colado aos lábios e à pele seca, que aqueles versos começaram a fazer algum sentido interpretativo. Num Big-Bang, o meu universo reflexivo começava a formar-se ali, sentado no banco da frente, em trânsito, numa sopa ainda muito primitiva de conhecimentos, de experiências e de sensações…
«entre a dúvida do que sou e onde quero chegar»
«será que existe em mim um passaporte para sonhar»
«e a fúria de viver é memo fúria de acabar»
Agarrado àquelas palavras, lembro-me da onda de calor que era empurrada pelo vento através das janelas abertas do carro, e que me empurrava também para dentro de mim; cada vez mais, fervilhando nas emoções que a música me oferecia. A dúvida, o medo, os sonhos, a consciência da tenra idade e do caminho dos anos que tinha pela frente, a distância do desconhecido, eram as preocupações que meteoricamente me começavam a assaltar.
«com o ar na cara vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu»
«talvez um dia me encontre»
«assim, talvez me encontre»
Impressionante pensar como tal memória consegue estar ainda tão presente, incrustada, verdadeiramente tatuada naquilo que sou, ou penso ser, hoje. São aquelas simples viagens de ida e volta à praia, são aqueles pensamentos que me bailam quando ouço alguma das músicas dos Trovante. Inquietantemente, 20 anos depois, sinto-me, de repente, sentado naquele carro, naquele percurso, naquela chuva de meteoritos interrogativos, afogado ainda nas mesmas dúvidas… Mas desta vez, dúvidas mais conscientes e, portanto, mais dilacerantes…
Será o meu cosmos a dilatar? A julgar pela entropia, sem dúvida!
21 Julho…
Arrumação
Dobrei todas as sílabas, vinco por vinco, e guardei-as na gaveta.
Pendurei as palavras na cruzeta e fechei o armário.
Hoje sou só eu, e o silêncio e, talvez, a chuva…
Stendhal
Ressuscito este espaço movido pela vontade de não o atirar também para o limbo caótico das imensas coisas que inicio e não acabo…
A mudança do ritmo e da velocidade que me roubam os reflexos e as reflexões a que gosto de me entregar não podem ser motivo do abandono deste meu modesto canto da world wide web, ainda que visitado por uma minoria de conhecidos que aqui vêm espreitar os estados da alma do dia ou das noites transformadas em madrugadas…
Neste post, sou movido também pelas aspas que abrem e fecham uma citação de stendhal…
“deseja tudo, espera pouco, não peças nada”
Genialmente simples, tomo-lhe conhecimento através do Pedro de Vasconcelos numa entrevista, também ela simples, também ela genial, numa revista que me esperava, aberta nessa pagina em cima da mesa de um dos meus bares preferidos junto ao mar do Porto, exposta ao sol pueril da manhã de domingo…
Entra desta forma casuística, porém brutalmente poética, para o segundo lugar dos pensamentos que recolho aqui e ali… A primeira posição, inabalável, continua presente no rodapé deste blog….
Silêncio?
Sabes bem que o silêncio ecoa de uma forma estrondosa quando as palavras que não dizes, que não queres dizer, não tem o som, não tem o sabor, não têm o sabor de quem sente, de quem diz o que sente, de quem sente o que diz…
Sabes bem
Sabes bem que não são esses os silêncios, que não são essas as palavras que oiço… que anseio, que oiço sem que as tenhas ainda, ainda dito…
“Acocorado com o frio à noite à noite”…
Se lhe perguntassem em que pensava, não saberia responder. Provavelmente não ouviria sequer a pergunta nem que lha gritassem ao ouvido. Sintonizado apenas nos passos cada vez mais próximos, de alguém, de algo, de alguma estranha forma que não reconhece mas pressente. Sincopados, certeiros. Avassaladores. Tinha medo. Encolhia-se a um canto da saudade e empurrava os joelhos contra o peito. Do silêncio surgiam as vozes que o inquietavam, vozes que ecoavam sonoras num conflito que não tem forças para vencer. Acocorado, perdido no pensamento do antes e do depois, deixa-se absorver pelas chamas que lhe sombreiam o campo de visão em imagens fugidias, cintilantes…
A hora do lobo
Apesar de a vontade ser a de ficar em casa a afogar a dor entre as reminiscências cada vez mais ténues dos dias que, afinal, foram quase sempre indistintos, acabou por empurrar o corpo pela noite obrigando-o às luzes de uma madrugada fria.
Alheio ao espírito a que a quadra natalícia sugere, atravessou a cidade de bar em bar, encarneirado por uma multidão onde não se reconhece nem se vê, narcotizado em ébrios espaços de copos de whisky e fumo de cigarro. Traficado pelo valor mais baixo da sua auto estima.
Os ponteiros no relógio de pulso contavam não o tempo, que lhe parecia estático, mas as partículas cada vez mais densas de um obnubilado sentimento de despedida; esse expoente intransigente a que, obstinado, se entregava.
Como um rio sem margem, deixou-se levar sem as vontades próprias que tanto valoriza; sem a garra que recentemente se tinha descoberto; sem o poder da escolha e da decisão. Tropeçou em caras de outros tempos, em abraços e sorrisos de ocasião, e tudo lhe pereceu igual, tudo lhe pareceu feito de uma estúpida e imutável resistência inconsequente.
Volta a casa pela hora do lobo, de alma vazia e olhos rasos e traz nas mãos, por entre os dedos, as memórias que já lhe escapam.
Requiem
Esta é a hora
Sem nunca o desejar sempre o esperei
Chegou o momento, chegou a hora
Veio com o vento do Outono e levou-te embora
de mim, de nós
Para onde nunca o saberei
Por que choro ao ver-te partir?
Quando já há muito deixaste de viver
para apenas existir
e lutar por ficar
resistir ao tempo e durar
Para que essa luta, existência
e esta lágrima que resbala
eternizem a enorme ausência
que deixas em teu lugar
sentada no sofá da sala.
07.11.2002
Sol de Inverno
Horário de inverno…
… Estou oficialmente deprimido!
Adeus
Não sei se aqueles que me acompanham neste blog se lembram deste meus post de há um ano.
Desde essa altura que vos quero disponibilizar em audio ou vídeo essas aveludadas palavras.
[dowload]
(des)ilusão
E uma vez mais acredito que a desilusão tem o mesmo berço da ilusão. São ambas feitas da mesma matéria. Nascidas do mesmo sonho. Uma o início dele, outra o seu fim… Complementar-se-ão? Uma o arquétipo de um desejo, a outra a sua materialização no instante em que abrimos os olhos; a fracção de segundo em que tomamos consciência de um novo ciclo de reacções cognitivas…
Por agora anoiteço, amanhã caminharei de novo de ilusão em (des)ilusão…
Person at the window
[person at the window - Dali]
My hands in the soil, buried inside of myself
Se os meus dedos neste blog não escrevem é porque dele têm medo. Não querem, não deixam. Guardam para si o tremer quase estático da inquietude dos dias; das sombras das noites que já anunciam o fim do verão.
The wounds on your hands never seem to heal
I thought all I needed was to believeHere am I, a lifetime away from you
The blood of Christ, or the beat of my heart
My love wears forbidden colours
My life believesSenseless years thunder by
Millions are willing to give their lives for you
Does nothing live on?Learning to cope with feelings aroused in me
My hands in the soil, buried inside of myself
My love wears forbidden colours
My life believes in you once againI’ll go walking in circles
While doubting the very ground beneath me
Trying to show unquestioning faith in everything
Here am I, a lifetime away from you
The blood of Christ, or a change of heartMy love wears forbidden colours
My life believes
My love wears forbidden colours
My life believes in you once again
David Sylvian
A ver também por aqui
Gladiador
Dos silêncios e dos conflitos a que se entrega traz consigo um tigre que passeia pela trela como quem passeia um cachorro. Ninguém o vê. Apenas tu. E eu. Sinto-lhe o rugir de felino selvagem. Predador. Sinto o calor ofegante de um respirar angustiado. Consigo ouvir as correntes que se arrastam pelo chão a cada passo. Caminha ainda pelos corredores exíguos e bafientos e ao fundo a luz amarela da arena começa a ofuscar-lhe o olhar. Em breve gladiará perante um coliseu vazio de gente.
…
Nos seus silêncios com que vai preenchendo as páginas que deixa em branco, a tinta é de bruma mas é com sorrisos vai acrescentando reticências aos parágrafos…
O lado B
Lembro-me dos velhos discos de vinil que ouvia em criança e início de adolescência. Não tinha muitos que na altura já caíam em desuso; uns quantos de histórias infantis, alguns de música pop e rock dos anos 80 e outros tantos “herdados” dos meus pais ou irmão mais velho. Recordo ainda o top dos mais ouvidos: a banda sonora da série televisiva ‘Twin Peaks’, a banda sonora do filme ‘Once Upon a Time in America’, um álbum duplo do Carlos do Carmo e o mais percorrido pela agulha: a discografia do Zeca Afonso.
Tal como nas cassetes que alimentavam o mesmo aparelho ao centro do quarto, os discos de vinil tinham uma particularidade que me atraíam: o Lado B. Os estalidos sincopados de fim de ranhura em espiral que pediam sempre o outro lado do disco. Não era propriamente o resto das músicas que me fascinava mas sim, simplesmente, a existência de um outro lado.
É nos tempos do vinil que me sinto tantas e tantas vezes. É lá, no lado B, no outro lado. No outro lado da vida. No lado B da vida. Um limbo entre o ser e o existir. Como se eu próprio fosse uma agulha que percorre as voltas (às voltas?) de um destino, de uma música, de um som… Um estado que não é passageiro mas sim cíclico, como se se tratasse mesmo do fim de uma ranhura em espiral que trepida e pede uma volta no disco. Uma reviravolta (?).
Memorável
Dj Law e Dj XikoMartini on the boatfloor private party


Qual a distância à linha do horizonte?
Mais uma vez chego à conclusão que a chave é mesmo a permissividade. Ou como diz o Palma “reduz as necessidades se queres passar bem”. Quanto mais aberta se deixa a janela da alma melhor avistamos o horizonte. A questão é: até onde quereremos contemplar?
Estórias minimais
A chave com que, pela primeira vez abriu a porta, estivera sempre naquela fechadura. O que nunca soube foi, em que sentido e quantas voltas lhe havia de dar.
Guardador de sonhos
Em estado de vigília, interditado aos meus próprios sonhos, torno-me guardador de quimeras. Colho-as ainda verdes e guardo-as no cesto alado da mais pura utopia, para que um dia, talvez um dia, tas devolva maduras. Mais maturas que maduras, mas nem por isso com menos vontade de rasgar em cores o resignado lençol cinzento com que à força nos tentam embrulhar.
“um caminho entre dois túmulos”?
Que corredor é esse? Para onde o leva? Para onde nos leva a nós que caminhamos lado a lado com o velho, noutro corredor, aparados por outras bengalas. Quem nos amparará a queda?
Onde está o milagre dos pães?
Um velho. Não muito velho, mas velho. Cambaleia entre a bengala e a fachada de pedra do edifício que lhe ampara o equilíbrio precário. A barba de vários dias, o boné e a restante indumentária dão-lhe um ar sujo, abandonado, como o resto de alma que lhe vai caindo do olhar saturado. Descansa a cada dois metros encostando o corpo à parede, depois volta, arrastando os pés. Sozinho no passeio tenta alcançar a padaria, de onde saem e entram pessoas sem darem pela sua presença. Ele olha-as, segue os seus passos, pede-lhes auxilio, não fala. Insiste. Alcança o degrau. Levanta a perna esquerda mas a direita não aguenta. Tenta ao contrário. Levanta a perna direita e com um ligeiro desequilíbrio consegue ultrapassar o obstáculo. Minutos depois volta ao mesmo degrau. Ao descer as forças traem-no e, não fosse a entrar naquele momento um sujeito que lhe deitou a mão, cairia desamparado no chão. Recomposto, agradece levando a mão à cara do desconhecido que afaga duas ou três vezes. Não fala. Encosta-se junto à porta. Talvez não tenha quem lhe faça companhia durante o lanche e resolve tirar do saco de papel o pão que comprara há instantes. Leva-o à boca mesmo assim, simples. Das mãos trémulas escorrega a bengala que lhe cai sobre os pés. Curva-se em seu alcance, mas não consegue e deixa também cair o pão ainda quente. Abre de novo o saco de papel. Está vazio. Olha para o chão, triste, bate com o punho na perna. Não fala. Acena com o dedo indicador para que lhe apanhem do chão o que deixara cair. Assim acontece: alguém passa e recupera-lhe a bengala. Insiste e pede o pão que ampara entre os dois pés. Ainda com a bengala na mão o fugaz ajudante verga-se de novo e levanta do chão o resto de pão mordido que enfia com dois dedos dentro do saco de papel. Devolve-lhe a bengala e segue o seu caminho. Com duas voltas, fecha o saco que guardará para depois e regressa ao corredor definido pela bengala e a fachada de pedra do edifício.
A solidão
Não é quando a noite chega mas sim quando ela grita o seu mais estrondoso silêncio em plena madrugada. É quando as paredes abanam só de lhes tocarmos em busca de equilíbrio. É quando a luz do candeeiro irrompe do nosso polegar no interruptor e nos ofusca e nos cega ainda mais que de imediato premimos de novo o botão. É quando à força tentamos adormecer para esquecer a saudade. Que vem e que vai para depois voltar…
Sono
Não fosse o sono que me vai adormecendo aos poucos os dedos, esta noite ficaria em frente ao teclado, apenas para ver saltar entre os olhos um cursor tímido.
Estou de volta…
… e entre outras coisa, trago isto na bagagem:
“Prefiro ser esta metamorfose ambulante
do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”
Raul Seixas
Em busca de
Onde vamos buscar a força de ficar, de continuar?
Quando estamos no fim, no limite, como se agarram as vontades?
Como se agarram os desejos?
Seremos mesmo nós?
Ou serão eles que nos agarram, que não nos deixam partir.
Para quando?

P’ra onde vai?
Quando os olhos cansam, a cabeça pesa, o corpo arrefece, as mãos tremem, a alma dói.
Corremos para onde?
Vampiro
Sou vampiro.
Não sou morto nem moribundo.
Sou vampiro sem noite, sem caixão,
sem mundo.
Mas no teu pescoço
não há cruz,
bala de prata ou raio de luz.
No teu pescoço
sou vampiro
ou sou gente?
Contrafacção
As paredes voltam a apertar à medida que o tempo se escoa a uma velocidade tal que não sei mais que dia é. Segunda? Domingo? Sexta? Não sei, são todos iguais… Começam e acabam sempre da mesma maneira. Irremediavelmente iguais. Produtos da linha de montagem de uma qualquer fábrica de contrafacção, estampados em imitações de segunda e vendidos a preço de custo. Sem lucro…
Entender sem julgar
Os autores são assim: um mistério. São o que são e o que queremos que sejam. Às vezes espanto, muitas vezes desilusão. O que me leva a aceitar cada vez mais o facto que o que escrevem não é deles. É nosso, é de quem os lê. É de quem naufraga de página em página agarrado a uma tábua de palavras escritas. De quem sonha.
Escrevo isto a pensar no António Lobo Antunes, poderia nomear muitos outros ou até alguém mais próximo, que conheço mal mas de mais perto.
Exemplifico: “Acho que (Camões) é o António Lobo Antunes da Poesia” in Visão nº 712, até aqui tudo bem, caso a citação não fosse do próprio Lobo Antunes, ou ainda, e dito pelo mesmo: “Honestamente, se tivesse de escolher um escritor escolhia-me a mim” in Pública nº545. Mas o que é isto? Um ego do tamanho do mundo? Vaidade? Sentimento de superioridade?
Tinha gostado muito da entrevista que deu a Ana Sousa Dias no programa Por Outro Lado na RTP há já um ano ou dois. Mas a ideia com que fiquei era precisamente a oposta: introvertido, envergonhado, humilde… Mas desde que li estas duas citações e o texto onde estão inseridas que não param de me martelar no pensamento. Mudou? É esquizofrénico? Que tipo de homem é este?
Ontem ouvi a entrevista a Carlos Vaz Marques e volto à impressão inicial, perdoo a vaidade, que agora já não é vaidade é orgulho. Perdoo o egocentrismo, que agora não é egocentrismo é… não sei o que é… Nele é qualquer coisa de místico. É inexplicável realismo.
Sinais (do tempo?)
Esta manhã, minutos antes das nove, Fernando Alves na rubrica Sinais da TSF tentava lembrar-se do primeiro livro que leu. Não deu resposta. Eu sei, eu lembro-me do primeiro livro que li (excluindo obviamente a cartilha do João de Deus e os primeiros livros didácticos). O primeiro foi a Fada Oriana da Sophia de Mello Bryner. O segundo? O Cavaleiro da Dinamarca, também da Sophia. O terceiro? O Rapaz de Bronze, da Sophia. O quarto? A menina do Mar, adivinhem de quem… Pode não ter sido por esta ordem, mas foram no mesmo dia, na mesma tarde fria de inverno…








