Se lhe perguntassem em que pensava, não saberia responder. Provavelmente não ouviria sequer a pergunta nem que lha gritassem ao ouvido. Sintonizado apenas nos passos cada vez mais próximos, de alguém, de algo, de alguma estranha forma que não reconhece mas pressente. Sincopados, certeiros. Avassaladores. Tinha medo. Encolhia-se a um canto da saudade e empurrava os joelhos contra o peito. Do silêncio surgiam as vozes que o inquietavam, vozes que ecoavam sonoras num conflito que não tem forças para vencer. Acocorado, perdido no pensamento do antes e do depois, deixa-se absorver pelas chamas que lhe sombreiam o campo de visão em imagens fugidias, cintilantes…
Saturday, 5 January, 2008
23:12
“Acocorado com o frio à noite à noite”…
1 Comentário »
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[O homem magnânimo sabe como comportar-se quando é exaltado e quando é humilhado. Sabe mostrar temperamento na sorte, seja boa ou má. Não prova nem exagerada alegria num grande sucesso, nem muita dor numa derrota. Não procura, mas também não evita o perigo e poucas são as coisas que o preocupam. Não é dado facilmente a falar, mas quando a ocasião o exige, diz franca e corajosamente o que sente. Não ambiciona ser louvado nem ver os outros censurados. Não se zanga por coisas de pouca importância e não conta com a ajuda de ninguém.] - Aristóteles









Pessoalmente, para dirimir este tipo de estados de alma, prefiro, também de Sérgio Godinho, “a noite passada”. Embora muito aprecie aquela em que dá voz à canção do título do post.
Comment by Nuno Magalhães — Tuesday, 8 January, 2008 @ 13:59