A chave com que, pela primeira vez abriu a porta, estivera sempre naquela fechadura. O que nunca soube foi, em que sentido e quantas voltas lhe havia de dar.
Estórias minimais
Cradle me
Guardador de sonhos
Em estado de vigília, interditado aos meus próprios sonhos, torno-me guardador de quimeras. Colho-as ainda verdes e guardo-as no cesto alado da mais pura utopia, para que um dia, talvez um dia, tas devolva maduras. Mais maturas que maduras, mas nem por isso com menos vontade de rasgar em cores o resignado lençol cinzento com que à força nos tentam embrulhar.
PGR vs bloggers
Pedro Rolo Duarte era um crítico acérrimo dos blogs. Actualmente é um defensor dos mesmos com a mesma força que antes os criticava. Há medida que os blogs se foram proliferando foram também tomando uma dimensão que é incontornável. Actualmente veiculam notícias que muitas das vezes não chegaram ainda às redacções dos jornais. São mote para discussões e debates. São um espaço não censurado de exposição de opiniões que não se obrigam a um seguimento de linhas editoriais. Parece-me, portanto, correcta a inversão de comportamento de Pedro Rolo Duarte (assina até uma coluna semanal, penso, sobre a blogosfera).
Como PRL, muitas pessoas têm a mesma atitude. Muito me espanta quando alguém me diz que não lê blogs. Pergunto pelas razões e, normalmente, não conseguem esgrimir um argumento que me convença. Não entendo também o porquê desta resistência. Um blog, devidamente assinado, vale mais que todos os jornais da semana (embora nãos os dispense).
Ora. A semana passada ouvi o Procurador Geral da República dizer que os “blogs são uma vergonha” e que pede à sua assessora de imprensa para não lhe dar nada que venha da blogosfera porque não têm um “mínimo de dignidade”. Generalizações deste género, todos as fazemos, claro. Agora, não temos é o cargo de Procurador Geral da República nem estamos a prestar depoimentos a um Órgão de Soberania. Um PGR não pode, nem deve, fazer afirmações destas sem uma fundamentação. Ele que, ao mesmo tempo diz ser “um leigo na matéria”.
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mãoMas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.Memória - Carlos Rummond de Andrade
If i only could…








