Thursday, 30 November, 2006 14:42

Em todas as ruas

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Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

Sunday, 26 November, 2006 12:59

Slow motion

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Sunday, 19 November, 2006 09:43

3 minutos numa manhã de chuva

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Saturday, 18 November, 2006 10:15

Entender sem julgar

Arquivado por francisco em: pessoal, citações

Os autores são assim: um mistério. São o que são e o que queremos que sejam. Às vezes espanto, muitas vezes desilusão. O que me leva a aceitar cada vez mais o facto que o que escrevem não é deles. É nosso, é de quem os lê. É de quem naufraga de página em página agarrado a uma tábua de palavras escritas. De quem sonha.

Escrevo isto a pensar no António Lobo Antunes, poderia nomear muitos outros ou até alguém mais próximo, que conheço mal mas de mais perto.
Exemplifico: “Acho que (Camões) é o António Lobo Antunes da Poesia” in Visão nº 712, até aqui tudo bem, caso a citação não fosse do próprio Lobo Antunes, ou ainda, e dito pelo mesmo: “Honestamente, se tivesse de escolher um escritor escolhia-me a mim” in Pública nº545. Mas o que é isto? Um ego do tamanho do mundo? Vaidade? Sentimento de superioridade?

Tinha gostado muito da entrevista que deu a Ana Sousa Dias no programa Por Outro Lado na RTP há já um ano ou dois. Mas a ideia com que fiquei era precisamente a oposta: introvertido, envergonhado, humilde… Mas desde que li estas duas citações e o texto onde estão inseridas que não param de me martelar no pensamento. Mudou? É esquizofrénico? Que tipo de homem é este?

Ontem ouvi a entrevista a Carlos Vaz Marques e volto à impressão inicial, perdoo a vaidade, que agora já não é vaidade é orgulho. Perdoo o egocentrismo, que agora não é egocentrismo é… não sei o que é… Nele é qualquer coisa de místico. É inexplicável realismo.

Friday, 17 November, 2006 09:13

Sinais (do tempo?)

Arquivado por francisco em: pessoal

Esta manhã, minutos antes das nove, Fernando Alves na rubrica Sinais da TSF tentava lembrar-se do primeiro livro que leu. Não deu resposta. Eu sei, eu lembro-me do primeiro livro que li (excluindo obviamente a cartilha do João de Deus e os primeiros livros didácticos). O primeiro foi a Fada Oriana da Sophia de Mello Bryner. O segundo? O Cavaleiro da Dinamarca, também da Sophia. O terceiro? O Rapaz de Bronze, da Sophia. O quarto? A menina do Mar, adivinhem de quem… Pode não ter sido por esta ordem, mas foram no mesmo dia, na mesma tarde fria de inverno…

Wednesday, 15 November, 2006 22:57

Piano

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Uma das grandes potêncialidades da versão 3 do radio.blog é a de poder colocar músicas em posts. Coisa que já tentei aqui vezes várias mas sem nunca encontrar a ferramenta adequada.

Fica então o exemplo com uma das músicas que há muito me acompanha. «The heart ask pleasure first», de Michael Nyman na grande banda sonora do filme O Piano.

Tuesday, 14 November, 2006 09:02

O som do arco

Arquivado por francisco em: música

Para quem gosta da música que costumo ter aqui no blog, alterei o radio.blog ali ao lado. Agora as músicas estão alojadas no próprio servidor do radio.blog, pelo que já não serei preso por violação de direitos de copyright :P . O player que instalei ainda é uma versão beta e, por esse motivo podem surgir alguns erros… Até instalar a versão final, apreciem ;)

Tuesday, 7 November, 2006 22:49

O que nos move?

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As ilusões?
Ou as desilusões?

Sunday, 5 November, 2006 22:08

Com tranquilidade

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Cabelinho à Paulo Bento

Saturday, 4 November, 2006 23:17

Náusea

Arquivado por francisco em: pessoal

Há dias em que não devia pensar, muito menos escrever.
Se é sabido que as palavras ferem, as palavras escritas dilaceram-me, rasgam-me em pedaços. Saem-me pela ponta dos dedos, têm vida própria, tomam-me o controle. Custam a sair, saem devagar para dilacerar ainda mais, massacram-me. Mesmo assim eu fico. Sou estúpido. Fico parado, imóvel em frente a um teclado a imaginar palavras para depois tentar não as escrever.

22:16

46 letras…

Arquivado por francisco em: geral

A maior palavra da língua portuguesa não é «anticonstitucionalissimamente»…
O primeiro lugar no pódium é para a «pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico».
Conseguem repetir? :P

Wednesday, 1 November, 2006 01:38

O dia D

Arquivado por francisco em: pessoal

Sabemos desde a primeira desilusão de criança que a vida não é como a queremos, como a desejamos, como a planeamos. Muitas das vezes é, ironicamente, precisamente o oposto mas, nem por isso pior…
Acontece que, por mais que planeemos as nossas rotas, que gastemos horas na busca milimétrica das palavras que queremos dizer a alguém em determinada situação, que façamos conjecturas de comportamentos, não temos no momento crucial o poder de controlo, de auto-controlo suficiente para nos sermos fieis: enganámo-nos descaradamente, traímos as reacções cognitivas e divorciamo-nos da racionalidade. Isto porque somos simplesmente humanos, portanto, imprevisíveis no que toca a sentimentos. Selvagens?! Primatas? Talvez primários… É por essa razão que adoptei há já algum tempo a teoria do «read the directions, even if you don’t follow them».
Há as manhãs em que acordamos e está sol e então tudo corre bem. Progredimos pelas horas dos dias. Saímos com os amigos, conversamos e discutimos em frente a um copo, rimos, gargalhamos. Não sentimos. Não sentimos que somos diferentes do que mostramos, que somos falsos, mentirosos: aparentemente tudo bem, sorriso nos lábios, resposta pronta para tudo mas, inconformados, inconstantes, obstinados pelo impossível, sedentos do inalcançável. É a obsessão do inatingível na eminência do colapso.

Por isso precisamos de alguém. Somos egoístas? Por isso precisamos de alguém presente, mesmo que ausente, distante. Um colo de mimo, um consolo nem que em pensamentos nostálgicos do que já fomos e fizemos. Por isso precisamos de um telhado, de uma casa, de uma família, um porto de abrigo. Por isso precisamos de viajar fechados no quarto, em cima da cama, no escuro, em silêncio… Por isso também precisamos de estar só. Por isso também precisamos de nos esconder. Saltar da rota e ver o que somos. Observar-nos pelo lado de fora, que o de dentro já estamos fartos, displicentes.

O caminho é, parece-me, a permissividade. Aceitar os factos como são, as pessoas como se nos apresentam, os dias como nascem. Embora que moldáveis, imutáveis somos todos, não por vontade própria, teimosia ou desígnio divino, mas por inerência. Rodamos a cada segundo no prato do oleiro mas não perdemos o barro de que somos feitos.

Somos responsáveis pelas nossas escolhas, réus dos nossos passos, portanto, o que atingimos é nosso e devemos reclamá-lo para nós.

Vivemos em sociedade, talvez não das melhores, mas em sociedade. Como tal, obedecemos a regras, às nossas e às dos outros. Obedecemos a um relógio que trazemos no pulso, obedecemos ao pai, à mãe… Respeitamos. Só assim se justifica.
Vivemos em dissonância de vontades em busca de um momento, o ponto de não retorno: o dia que dividirá as nossas vidas entre o antes e o depois desse instante. Um marco. Alguns encontram-no mais cedo, outros mais tarde, outros não o encontram de todo. Eu, continuo crente que esse dia chegará. O dia D. «D» de definição.

[O homem magnânimo sabe como comportar-se quando é exaltado e quando é humilhado. Sabe mostrar temperamento na sorte, seja boa ou má. Não prova nem exagerada alegria num grande sucesso, nem muita dor numa derrota. Não procura, mas também não evita o perigo e poucas são as coisas que o preocupam. Não é dado facilmente a falar, mas quando a ocasião o exige, diz franca e corajosamente o que sente. Não ambiciona ser louvado nem ver os outros censurados. Não se zanga por coisas de pouca importância e não conta com a ajuda de ninguém.] - Aristóteles