Quero ter um assim!
iBar
O que te mexe?
Music is the essence of life
Já vos tinha mostrado o música do bem.
Do mesmo género também há o SaravaClub, o Brazilian Nuggets, e ainda o Hoje ainda é dia de boa música.
Tudo a preço de saldo
O homem do leme
Navegamos em fragatas de sentimentos. Traçamos azimutes e escolhemos as nossas próprias rotas. Batemos tempestades, oscilamos em marés. Ancoramos aqui e ali ou onde encontramos abrigo mas somos sempre responsáveis pelos portos onde atracamos. Afinal de contas, temos o leme nas mãos.
‘Me, myself and I’
O mundo nem sempre é o que nós queremos. Mas, às vezes, as explicações estão mesmo à nossa frente.
A ler Ricardo Costa no Diário Económinco.
Africandar
Sabiam que Fernando Alves escreve num blog? É o Africandar.
Começou por ser um repto, mas pode transformar-se num desafio, num toque a reunir de uma enorme tribo destribalizada mas sobrevivente, num grito de quem reivindica o direito ao passado e, de raízes ao léu, consegue identificar, lá longe, o sítio aonde pertencem. “Essas raízes não mergulharão noutra terra” - dizia a feiticeira das margens do Cunene
Cordas
Cordas. Existem cordas que me amarram, dilacerantes, abdutoras. Roubam-me ao espaço que ocupo e aos instantes a que pertenço. Deixam no meu lugar farrapos de alma, para que, mesmo assim, saibam que ali estive.
Até o apagar da velha chama
Carlos Jobim - Corcovado
Quem conta?
Regresso a casa cedo. Na estante dos cd’s procuro a banda sonora para a noite quente que adolesce devagar. Encontro. Para uma noite quente, os sons quentes de Djavan. Há quanto tempo não rodava este Bicho Solto? Há tanto tempo ou tão pouco, que importa? Quem conta o tempo senão o bater do coração?
Como é?!
Informação no weather.com para a cidade do Porto:
Temperatura máxima para hoje: 26ºC
Temperatura actual: 30ºC
Jazz
Hoje descobri dois álbuns excepcionais dos Jazz Liberatorz. Querem ouvi-los? Descarreguem-nos daqui… Estão a bom preço
De volta à carga
Depois do Barnabé, depois do Aspirina B, Daniel Oliveira inaugura agora o Arrastão, desta vez a solo. Sempre gostei de o ler, desde os tempos do defunto Barnabé aos escassos posts no Aspirina B. Estou, portanto, bastante entusiasmado com este novo projecto do assessor do Bloco de Esquerda. Já está nos favoritos e na coluna ali ao lado.
- [adenda 25.05.2006] - Diz-me o Daniel Oliveira que já não é assessor do BE há mais de um ano. As minhas desculpas, ao visado e a todos os leitores.
Prós e contras
Terá Carrilho apertado a mão a Ricardo Costa depois do programa acabar? Fica a questão…
A ler
Ainda a propósito do debate de ontem, vale a pena ler Pedro Mexia [estado cívil], João Pedro Henriques [glória facil], Pedro Lomba [vício de forma] e ainda na grande loja do queijo limiano.
O politicamente correcto II
Já estou deitado e com um olho aberto e outro fechado no primeiro sono mas tenho o televisor ligado e ouço o debate Prós e Contras na RTP1. Raramente vejo tal programa. Não gosto do formato, detesto o tom espalhafatoso de Fátima Campos Ferreira e acho pobre a rotatividade do escasso baralho de convidados. Mas esta noite o debate é imperdível, quanto mais não seja pela mediatização do recente tema e famigerado “signo da verdade”. De um lado o mimado e narcísico plastificado Manuel Maria Carrilho e Emídio Rangel, o tal que venderia um Presidente da Republica como sabonetes (e diz ele que está contra o mau jornalismo), e do outro, o coerente José Pacheco Pereira ao lado do excelente profissional Ricardo Costa. Não sei se os vejo com um certo tendenciosismo, uma vez que tanto admiro os dois últimos como abomino os dois primeiros.
Serve isto para dizer que um excelente caso do dito politicamente correcto que falava há dias é, na sua forma mais original, a atitude e discurso de Pacheco Pereira. Ele consegue ser agressivamente genuíno, tremendamente acutilante e cem por cento verdadeiro sem nunca vilipendiar. Expõe clara e transparentemente as suas ideias com um discurso sincero e desprovido de pudor. Um homem com uma verticalidade, infelizmente, fora do comum.
De costas voltadas
Andava aqui na incessante arrumação de fotografias e encontrei esta que achei caricata. Cada um a olhar para o lado oposto, de costas voltadas, estaríamos zangados? ![]()

O tempo nas mãos
Há dias que não quero que acabem. Fantasio agarrar-me ao ponteiro dos segundos, prende-lo à força entre as duas mãos e não o deixar avançar. Assim, inocentemente estagnar a Terra do seu movimento de rotação. Não importam as consequências. Desastres ecológicos, alterações climatéricas, caos informático, desastres de aviação, descontrolo de marés e eu sei lá mais o quê. Não me importa, o tempo é meu e faço dele o que eu quiser…
Remain
We’ll remain after everything’s been washed away by the rain
We will stand upright as we stand today
Lovestain
You left a lovestain on my heart
And you left a bloodstain on the ground
But blood comes off easily
Jozé González
Pró menino e prá menina…
… Música para todos os gostos: http://www.jamendo.com/us/
Radio.blog
Duas novas músicas a rolar ali ao lado.
Gonna Be - Mo’Horizons
Tangle Eye - John Henry’s Blues
Divirtam-se…
Não só os ursos hibernam
Coisas tão leves, tão impalpáveis como sentimentos também hibernam… Passam um Inverno, dois, três, os que forem preciso, enfiados na toca do subconsciente, ao abrigo da sensibilidade cognitiva. Depois acordam, assim de repente, têm fome e uma vontade insaciável do mundo exterior. Não se controlam, não conseguem, saltam do buraco e buscam o mais ínfimo raio de sol onde se alimentar.
O politicamente correcto
Ultimamente tenho ouvido muita gente falar contra o politicamente correcto. Não aceitam. Dizem que não praticam. Que estão fartos de não chamar os bois pelos nomes. Vai daí soltam em bruto e desmedidamente aquilo que lhes vai na alma. Ora, esquecem-se do bom senso e da prudência. É que nem sempre se pode, nem deve, verbalizar as ideias sem processamento cerebral. Sem a escolha prévia das palavras que melhor se adequam à situação, ou ao interlocutor, corre-se o risco de incorrer num erro bastante mais grave que o dito politicamente correcto que se combate. É que entre este e a sinceridade, muitas vezes confundidos os conceitos, existe um hiato que deve ser respeitado. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. De tanto usar, mal usar, o politicamente correcto, o seu conceito foi pervertido, passando a ser tomado por mentiras pudicas que escondem o que se pensa e fazem crer o contrário. Este fenómeno nasceu na classe política, onde existem muitas cabeças pensantes mas amarradas a correntes ideológicas. Assim, quando uma dessas cabeças se desvia um milímetro da ideologia que o perfilha é tomado pelo resto do grupo como um traidor, um judas olhado de lado, o que o leva a ter esse discurso constrangido de não dizer sem rodeios o que realmente pensa. É isto que abomino na política, o que chamo de seguidismo. Antes de um grupo existe o uno que não deve ser retraído nunca.
O politicamente correcto deve ser tudo menos isso. Deve ser um discurso hábil, diplomático, uma forma sincera e inteligente de usar as palavras. Afinal de contas é isso que deve caracterizar o ser humano.
Prisões
É próprio do homem não viver livre em libedade mas viver livre numa prisão. Estamos sempre condicionados e até prisioneiros de nós próprios.
António Lobo Antunes
Deixem a flor
Revirei gavetas, esvaziei prateleiras, espreitei por detrás de outros, telefonei a amigos a quem eventualmente o tivesse emprestado e nada… Não havia meio de o encontrar… Era impossível ter perdido um livro assim…
Dois ou três anos depois, já derrotado e triste com a ideia de não o voltar a reler, encontro-o pousado em cima da cama e de capa voltada para cima. Falei sozinho. Estás aqui!! O meu pai encontrara-o aquando de uma arrumação literária.
Um reencontro feliz. Um livro pequeno, fininho, de paginas amareladas pelo tempo e a cheirar a pó, como todos os bons livros. A dedicatória escrita na primeira página pela mão do autor e dirigida aos meus pais data de 17.07.1979 estava eu a uns meses de nascer.
Rui Polónio Sampaio – Poemas, assim se intitula. O Rui era meu tio, ainda é, que não creio que os laços familiares se quebrem. Era meu tio mas não me recordo de mais do que uma ou duas frases da sua voz. Quis o acaso que deixasse de o ver ainda muito criança e só o voltasse a ver muitos anos depois num fugaz encontro numa véspera de Natal.
Pois este será, provavelmente, o livro de poemas que mais vezes reli. Identificando-me a cada palavra, em cada sílaba me questiono por que se desmembra uma família, por que deixam as pessoas de se ver. E o que sentirão os outros com isso? Será que se lembram de nós? Que se perguntam o que faremos hoje e o que queremos da nossa vida?
Agora que o tenho aqui ao meu lado e que o releio uma vez mais, não posso deixar de partilhar um cantinho dos seus segredos com os poucos leitores que me visitam neste blog.
Deixem a flor
que nasceu esquecida
no chão
da minha vidaDeixem a flor
no seu grito abandonado
como um apelo de amor
frustradoQuando tudo acabar
deixem a flor
sobre as ruínas
daquilo que ficarRui Polónio Sampaio – Deixem a flor, 23.12.1956
Epiderme
Levantar-se da cadeira onde, toda a tarde e em frente ao mar, repousara por entre as páginas de um livro do García Márquez não estava a ser tarefa fácil. Depois de se arquear de um lado ao outro, o sol reflectia agora as luzes que o consumiam no horizonte e as gaivotas em bando deambulavam incertas no areal anunciando o fim daquele dia.
Já sozinho na espreguiçadeira de pano desejou prender-se naquele instante eternamente. Agarrar nas mãos o tempo e não deixar o amanha chegar. Ficaria ali estático, imóvel, hipnotizado por aquele marulhar que o fascinava e surpreendia a cada novo som. Suspenso no tempo não se importaria mais com os acasos. Ali ele sabia-se livre de ilusões. Das ilusões que o prendem dentro dele. Que o encerram numa epiderme humana. Ali ele podia sentir a pele rasgar, podia livrar-se dos seus próprios limites, podia transpor as formas mundanas e ser o que quisesse. Aquele momento era só dele, imperturbável…
Reencontros
Quando não vemos por longos anos alguém de quem gostávamos e, assim de repente de um momento para o outro, sem avisar nos esbarramos com ela, somos invadidos pela nossa vida inteirinha, assim em bruto e em peso. As pernas fraquejam e somos puxados para o sótão das memórias. Ficamos tontos a divagar entre o discurso que temos de manter e as recordações que vão saltando de flash em flash.
Sinuosos os caminhos que a nós próprios escolhemos ah!
Tanto tempo à deriva, na fronteira do esquecimento sem a querer nunca atravessar, eis que os caminhos se cruzam. Ficamos frente a frente e, olhos nos olhos apercebemo-nos que temos bocados de nós que não são nossos. Permanecem em nós mas foram feitos pelos outros. Pelos que ficam e pelos que vão, pelos que estão sempre presentes e pelos que retornam. Caminham ao nosso lado e fazem parte da nossa sombra, imutáveis e indissociáveis, como convém…
Só não percebo é por que escrevo na primeira pessoa do plural! Será que somos todos assim?
Stay out
Kings of Convenience – Stay out of trouble
I walked around for hours, two ten pence pieces in my hand
I was alone and freezing, still trying hard to understand you
I left the others knowing, I had to work this by myself
But now the feeling’s growing, I would be better off with their help
So baby, what we’ve got
Has lately not been enough
Not been enough
I wish I had your scarf still, that once embraced and kept me warm
I wish you could be with me, in these last days when I am still hopelessly poor
Stay out of trouble
Stay in touch
Try not to think about me too much
Até jazz…

Limites
Já tinha feito referência a esta citação num outro blog. Uma vez que me persegue insistentemente, levam com ela outra vez
Quando as coisas são verdadeiramente importantes, quando se chega ao limite de cada coisa, estamos sós. Sempre e irremediávelmente sós.
Miguel Sousa Tavares - Solidão, Não te deixarei morrer David Crocket
O tempo abandonado
Pelos portais de granito vai passando o tempo abandonado embrulhando em mortalhas a História, as histórias. Erosão marginal sem respeito pela vida ou pela morte. Retalhos de vivências de gerações deixadas ao bravio acaso, selvagem. Delas já só resta o pétreo esqueleto.

Faz sentido…
Eu tenho um certo gozo em ver-te contente
já sei que o meu sentimento é banal
mas nem por isso o que eu te digo
a meu ver é menos importanteÀs vezes apetece-me oferecer-te um presente
mas nem sempre calha
e quando calha é quase sempre
aparentemente insignificantePor exemplo gostava de te dar uma paisagem
com camelos e mar ao fundo
maravilhosa e serena
tranquilamente estimulanteMas como pintor sou um desastre
e como economista ainda mais decepcionante
mesmo assim eu insisto em fazer parte
do teu mundoO boletim meteorológico anunciou calor
não vou duvidar
faz sentido no meu sistema solar[…]
Jorge Palma - Boletim meteorológico
Agarra-te à noite
Esquece. Esvazia-te. Deixa que a noite entre por ti adentro e te exorcize. Assim como a maré alisa a areia, a noite tratará também de ti. Quanto mais insistires em te controlares mais depressa te escoarás entre os teus próprios dedos. Fecha os olhos e deixa que ela dentro de ti te guie na escuridão. Não haverá degraus ou obstáculos no teu caminho, ela é sincera e não te enganará nunca. Agarra-te a ela e deixa-te adormecer. Devagar, em silêncio.
Stay in the shade
Stay in the shade until you reach the grave
Hide from yourself and see how you fade
You’ll see how you fade
Love moves on
Life goes on
You’ll see how you fade
See how you fade
Move on or you’ll see how you fadeJosé González - Stay in the shade
Ele é realista
Ouço na TV uma entrevista a um craque da bola… Cristiano Ronaldo diz que gosta de ser realista e que, por isso, sabe que se ganhasse o mundial iria ficar muito feliz…
Quem foi a pátria que me pariu?
Enclausurado. Estou enclausurado num mundo que não é meu. Eu não o fiz, e certamente não sou fruto dele. Não trabalho para o alimentar nem ele me alimenta a mim. Não temos afinidades nem sequer nos tratamos por tu, mas conhecemo-nos bem. Vivemos debaixo do mesmo tecto mas não partilhamos qualquer afecto e há sempre um azedume por perto. À nossa volta vagueiam estranhas formas, estranhos seres, pessoas com identidades que não passam do B.I, plastificado. Parecem entender-se entre elas, cumprimentam-se na rua, abraçam-se, beijam-se, riem… Vão para onde? Não sabem… vão com o rebanho…








