(…)
Tivesse asas e voava. Aquele momento estava impregnado de memórias que agora latejavam a uma velocidade estonteante sobrepondo-se instantaneamente umas às outras. Aquele momento era ali e agora e queria ficar lá para sempre. Sentir ainda mais intensamente aquela vontade que lhe rasgava a carne e a pele numa exorcização de sentimentos.
(…)
Vontade de gritar. Gritar ao mundo e perguntar bem alto para que todos o ouçam: o que fazes aqui?
Perante ele apresentava-se o infinito: ele próprio perdido na infinidade dos dias, ele próprio esquecido da força que o faz acontecer…
Atreve-te a julgar.
Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza.
Respira-te, despe-te,
faz amor com as tuas convicções,
não te limites a sorrir
quando não sabes mais o que dizer.
Os teus dentes
estão lavados, as tuas mãos são amáveis
mas falta-te
decisão nos passos e firmeza nos gestos.
Procura-te. Procura encontrar-te antes que
te agarre a voracidade do tempo.
Faz as coisas com paixão.
Uma paixão irrequieta que não te dê descanso
e te faça doer a respiração.
Aspira o ar, bebe-o com força, é teu,
nem um cêntimo pagarás por ele.
Quanto deves é à vida, o que deves é a ti mesmo.
Canta.
Canta a água e a montana e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta
o trabalho doce da abelha e a paciência
com que crescem as árvores,
canta cada momento que partilhas com amigos,
e cada amigo
como um astro que desponta
no firmamento breve do teu corpo.
E canta o amor. E canta tudo o que tiveres razão para cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria.
A própria dor ajuda-te a medir
a felicidade. Carrega nos teus ombros os séculos passados
e os séculos vindouros,
muito do pó que sacodes já foi vida,
talvez beleza, orgulho, pedaços de prazer.
A estrela que contemplas talvez já não exista, quem sabe,
o que te ajudou a ser vida de quantas vidas precisou.
Canta!
Se sentires medo, canta.
Mas se em ti não couber a alegria, não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta.
Constrói o teu amor, vive o teu amor,
ama o teu amor. De tudo o que as pessoas querem,
o que mais querem é o amor.
Sem ele, nada nunca foi igual, nada é igual,
nada será igual alguma vez.
Canta. Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança.
E canta quando a esperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e
porque gostas de cantar e
porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso.
Canta porque és livre.
E canta se te falta a liberdade.
Joaquim Pessoa, Vou-me embora de mim, Hugin, 2000.
Não sei porque insisto em continuar este espaço aberto… Há coisas que quero dizer mas que não digo, a razão desconheço…
Gritar? Para quê? Para quem? Com que consequências?
Há dias assim: mil perguntas, zero respostas…
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances
Não descanses
De nenhum fruto queiras só metade MIGUEL TORGA
Quando me juntei a este movimento, fi-lo com a sincera vontade de ajudar Manuel Alegre a afirmar-se entre os restantes candidatos. Voluntariei-me com a convicção de que o poder dos cidadãos é realmente importante e, ainda mais quando é exercido de uma forma activa, dando o corpo ao manifesto, contribuindo, participando, mobilizando. Foi o que tentei fazer desde Novembro passado.
No desenrolar da campanha (e pré-campanha) percebi que o que está em causa não é apenas a eleição de mais um Presidente da Republica, o sexto da nossa história democrática. É mais do que um voto num homem, é muito mais do que isso: é a oportunidade de implantação de uma nova filosofia comportamental da cidadania. Uma filosofia de valores que levará a um estreitar entre política e eleitorado. É a oportunidade de uma renovação segundo critérios inerentemente republicanos. É a eleição de um órgão de soberania que indubitavelmente represente esses valores.
Vejo Manuel Alegre como o que de melhor aconteceu na política desde que a acompanho. Fiel aos seus princípios, dado a prazeres telúricos - não são a caça ou a pesca que fazem dele um aristocrata hedonista como alguns tentam fazer crer - lutador de causas difíceis, Manuel Alegre é o político que a política precisa. Atrás dele, outros como ele o seguirão. A política precisa de alguém como ele, capaz de abanar o marasmo politiqueiro, um novo azimute de uma rota que uma vez mais dobre o Bojador.
Porque uma dia ouvi “as contas já estão feitas, já ganhou o Freitas” e na anacrónica hora da verdade a matemática falhou, recuso-me acatar resultados pré-estabelecidos ou coroadas vitórias. Recuso resignar-me ao seguidismo, ao clientelismo e às guerras “fulanisadas” da política. Foi para isso que serviu Abril? Dia 22 aclamo por um primeiro passo de uma nova maneira de fazer política em Portugal. Uma política com menos citações e mais actos, menos tricas e mais seriedade. Uma política de consciência e integridade.
Acredito que assistirei a um grande movimento de cidadania: uma Revolução Pacífica de resultados inexoráveis. Por mais antagónica que pareça a expressão, ela terá o seu significado bem expresso nos votos em Manuel Alegre. Domingo será um marco biográfico da nossa democracia. Qualquer que seja o resultado, as marés do sistema político-partidário serão agitadas, disso não tenho qualquer dúvida.
De nenhum fruto quero só metade.
Domingo voto Manuel Alegre.
Voto por uma vitória na segunda volta.
Voto por uma vitória da Republica.
O que escapa a Paulo Gorjão é que Manuel Alegre personifica uma campanha destemida, distinta pelo conteúdo das palavras e pela sinceridade dos actos. Nada é feito para parecer, nada é fabricado nesta campanha. Para Manuel Alegre, a presidência não é uma ávida ansiedade de longa data ou uma qualquer luta ou promoção pessoal, é um projecto de honestidade que só se afirma em quem o sente genuinamente.
Nas sondagens, Manuel Alegre não se distancia mais de Mário Soares e se aproxima de Cavaco Silva, porque tem estado há 30 anos a trabalhar pela nossa democracia na bancada do PS, e não sob os holofotes televisivos pronunciando-se sobre tudo ou sobre nada. Há muita gente que, infelizmente, não conhece Manuel Alegre e, por via das dúvidas vota no candidato “menos mau”.
Inconformado, Manuel Alegre entregou-se de corpo e alma a este projecto com parcos apoios logísticos e financeiros, mas felizmente, repleto de cidadãos que o desejam e que o vão tornar possível no próximo dia 22 de Janeiro.
Ficou conhecido pelo seu jeito irreverente. Pela forma envergonhada com que se apresentou nos primeiros palcos. Pela fatia de bom humor com que nos tens alimentado. Bruno Nogueira, para além de humorista, tenro actor, tem um blog onde escreve, e escreve bem com a sua caligrafia Times New Roman (ok, piada fácil, mas não resisti). Ao seu jeito, intervencionista, expõe as suas ideias, as suas preocupações mundanas. É exemplo disso o seu último post que recomendo. Bruno Nogueira: uma carreira para seguir curiosamente.
One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence we had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade
To call for hands of above to lean on
Wouldn’t be good enough for me
One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love
And you, you knew the hand of a devil
And you kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats in one night
A propósito do incomodativo jornal 24 horas de hoje, saiu uma noticia no site da BBCBrasil referente ao caso. Ora, isso não seria de relevo, não fosse a fotografia alusiva ao texto ter a fotografia de Santana Lopes associada à legenda de “Presidente Jorge Sampaio”
Chiça!! Que nunca mais nos livramos do cromo!!
[O homem magnânimo sabe como comportar-se quando é exaltado e quando é humilhado. Sabe mostrar temperamento na sorte, seja boa ou má. Não prova nem exagerada alegria num grande sucesso, nem muita dor numa derrota. Não procura, mas também não evita o perigo e poucas são as coisas que o preocupam. Não é dado facilmente a falar, mas quando a ocasião o exige, diz franca e corajosamente o que sente. Não ambiciona ser louvado nem ver os outros censurados. Não se zanga por coisas de pouca importância e não conta com a ajuda de ninguém.] - Aristóteles